Não existem receitas simples ou fórmulas milagrosas para o controle de cupins. As interações entre as populações destes insetos e as edificações atacadas podem ser bastante complexas. Isto exige do profissional não somente conhecimento de biologia, mas também de construção civil, além de alguns anos de vivência de campo.

A amplitude e complexidade dos problemas com cupins exigem que o trabalho de controle seja desenvolvido de forma rigorosa, cumprindo um conjunto de etapas que nos permitam compreender o problema e planejar as ações necessárias para reverter a situação. Somente depois sabermos o que (e por quê) devemos fazer é que podemos executar as intervenções necessárias.

O primeiro passo para controlar uma infestação é a execução de uma boa inspeção visando:

a) encontrar indícios de atividades de cupins e brocas;

b) coletar exemplares que permitam identificar os insetos ou detectar sinais que permitam identificar o grupo de insetos responsável pelo problema;

c) reconhecer as estruturas atacadas, determinar a extensão da infestação e obter outras informações acerca da edificação.

De posse das informações levantadas durante a inspeção e cruzando estas informações com aquelas relativas à biologia da espécie infestante, podemos imaginar como a população que estamos querendo controlar está interagindo com a edificação.

Podemos, então, estabelecer que grandes movimentos serão necessários para romper esta interação. A isto chamamos de elaboração da estratégia.

Elaborar a estratégia é analisar como o adversário se comporta e estabelecer meios de contra-atacar.

Em seguida é necessário detalhar as diferentes formas de intervenção que são necessárias para implementar a estratégia definida anteriormente. A este procedimento chamamos de definição das táticas. Para tanto é necessário refletir sobre:

a) que tipos de elementos precisam ser tratados;

b) em que locais os tratamentos devem ser efetuados;

c) qual a extensão de cada tratamento necessário;

d) como o tratamento será conduzido (formas de aplicação, produtos e solventes a serem utilizados em cada situação).

Brocas e Cupins de Madeira Seca

O controle de brocas e cupins de madeira seca implica um conjunto de intervenções localizadas, de pequeno porte, em elementos atacados, ou suscetíveis de virem a sê-lo.

Todos os insetos responsáveis pelo ataque estarão confinados dentro das peças atacadas. A figura ao lado mostra as galerias produzidas no interior de madeira intensamente atacada por cupins de madeira seca. A população de cupins circula apenas pelo interior das galerias escavadas no alimento. Assim, a estratégia básica de controle envolve, fundamentalmente, a aplicação de formulação inseticida no interior das galerias, para que os insetos entrem em contacto com o mesmo e morram.

Em alguns casos, quando a madeira está muito atacada e perde sua resistência mecânica, a simples substituição da peça (com a população da praga no seu interior) eliminará o problema.


Note que a estratégia de controle para brocas e cupins de madeira seca é a mesma: a eliminação das populações existentes nos elementos atacados
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Em situações onde existem evidências de revoadas de brocas ou cupins é recomendável o tratamento preventivo em elementos sem evidências de ataque, mediante pincelamento ou pulverização das áreas onde possa ocorrer a instalação de novos indivíduos. Estas áreas correspondem, geralmente, às ligações entre as peças de madeira.


Cupins Subterrâneos

No caso de cupins subterrâneos, a quantidade de indivíduos atacando um dado elemento de madeira é insignificante perto do total da população existente na colônia responsável pela infestação. As colônias ou estão no solo, ou estão protegidas dentro de vãos existentes na estrutura da edificação.


Assim, tratamentos localizados, aplicados apenas nas madeiras atacadas, normalmente não eliminam a infestação. Em algumas situações podem até contribuir para expandir a infestação, em vez de controlá-la. A quantidade de cupins mortos será irrisória frente à população total da colônia, que irá buscar novas fontes de alimento em outros pontos, geralmente dentro da mesma edificação.

Em infestações por cupins subterrâneos, simplesmente substituir as peças atacadas não resolve o problema. Quando muito, supre os cupins com nova fonte de alimento.


Nas infestações por cupins subterrâneos a estratégia a ser montada é muito mais complexa do que a descrita para brocas e cupins de madeira seca.
Depende de uma análise cuidadosa das características da edificação, dos pontos onde os cupins estão se manifestando, dos locais pelos quais eles estão trafegando, dos históricos de ataques e tratamentos anteriores etc. A combinação destas informações com as características comportamentais da espécie infestante deve servir para formular uma hipótese sobre como a infestação está ocorrendo. Esta hipótese é que deve embasar a estratégia a ser adotada.

Uma infestação por cupins subterrâneos é sempre um problema complexo. Contribuem para isto o grande porte das populações, sua alta voracidade e capacidade de movimentação pela edificação, e a grande dificuldade, ou mesmo impossibilidade em alguns casos, de localização dos ninhos. As estratégias de controle podem envolver a combinação de algumas das seguintes providências:

a) localização e remoção das colônias (quando possível);

b) criação de barreiras químicas que impeçam seu acesso à alvenaria (quando existem evidências de infestação proveniente de ninhos subterrâneos);

c) criação de restrições à movimentação dos cupins pelo interior da alvenaria (quando existem evidências de que isto está ocorrendo)

d) criação de restrições ao acesso dos cupins a fontes de alimento.

A combinação adequada destas providências, para cada caso específico, determinam a diferença entre as boas e as más estratégias. Uma boa estratégia é aquela que permite resolver o problema de forma racional e inteligente, reduzindo o impacto ambiental, o risco toxicológico e o custo da intervenção ao mínimo necessário para obter o controle.




A identificação de cupins baseia-se, em muitos casos, na comparação das características de indivíduos da casta dos soldados. Para fins práticos (apenas para reconhecimento inicial) apresentamos abaixo algumas características distintivas entre os soldados de alguns grupos de cupins economicamente mais importantes.

Características Principais para o Reconhecimento de cada Grupo

Coptotermes Coptotermes

- Cabeça arredondada e amarelada;

- Mandíbulas longas, finas e retilíneas até seu terço apical;

- Fontanela ampla e bem visível logo atrás das mandíbulas.

Reticulitermes Reticulitermes

- Cabeça alongada e amarelada;

- Mandíbulas longas, robustas e sinuosas;

- Fontanela pouco visível.


Heterotermes Heterotermes

- Cabeça alongada e amarelada;

- Mandíbulas longas, finas e retilíneas até quase o ápice;

- Fontanela pouco visível.

Nasuto Nasuto

- Cabeça arredondada;

- Mandibulas pequenas e de difícil visualização;

- Nariz bem desenvolvido com a fontanela no ápice.

Cryptotermes Cryptotermes

- Cabeça robusta (curta e alta), com a frente bem escura;

- Mandíbulas robustas;

- Fontanela ausente.

Cryptotermes Cryptotermes

- Cabeça trapezoidal a sub- retangular de cor avermelhada;

- Mandíbulas longas e robustas;

- Cupim grande (lembra uma formiga saúva);

- Fontanela visível no ápice de uma pequena elevação frontal.